05 dezembro, 2011

6:24 a.m. (parte IV)



Cordiais os passos que dou,
Livre das balas que me ferem.
Tens o infinito estampado em algo inútil,
Com sorte, guardaste migalhas dele no teu olhar.
Acorda, há terra no chão, lágrimas que a seguem.


Olha-me e dá-me o que te peço,
Sê exuberante com os seres que te sobrevoam, 
Tira-me tudo e esconde-te,
Morde a vida e guarda-me lugar, espero.

Empurra-me para o limite que és,  
Puxa-me de novo e implora por um toque meu, teu, dele...
Volta a acordar e procura-me debaixo da cama,
Lê o meu bilhete borratado pelo teus lábios,
Fecha-te e esquece-me.


Preciso de ti para respirar, mais nada.
Fica comigo a desejar nas estrelas, ou parte.
Deita-te comigo no chão da rua, até não haver mais noite.
Sussurra, não me acordes.


Onde estás? Onde estou? Perdoa-me.
Prega-me, cospe-me, blasfemai.
Risca as paredes e amaldiçoa a caixa que é o meu mundo,
Mas ama-me, ama-me até não sorrires em mim.

Hoje só quero contar os segundos em que não estás,
Quero contar os teus fios despenteados enquanto lês livros velhos,
Quero rasgar-te os contornos que te tiram horas,
Quero morrer na tua íris.
Quero ser, contigo.













8 comentários:

beatrizpereira disse...

lindo ! :o

beatrizpereira disse...

não precisas de agradecer, obrigado eu *

Renata disse...

ADORO *.*

bruni disse...

"Fica comigo a desejar nas estrelas, ou parte" oh, eu fico apaixonada, fico mesmo.. que lindo ai, adoro adoro!

Inês Geraldes disse...

Adorei, está mesmo bonito! Estou a seguir-te :')

Vanessa Kiekeben disse...

"Deita-te comigo no chão da rua, até não haver mais noite" adoro, adoro, adoro! Lindíssimo,escreves tão bem :D

Saara disse...

muito obrigada *.*
também gostei muito.
«preciso de ti para respirar, mais nada.»

esta lindo (:

Aileen disse...

Opah pode parecer estúpido, mas no fim do poema os meus olhos estavam com lágrimas* simplesmente adorei* :) :) acho que foi o melhor poema teu que já li, e não sei porquê, mas tocou bem fundo* keep going you write really well :)